O PCP está solidário com a luta que trabalhadores das empresas do Grupo Portucel desenvolvem. O Grupo Parlamentar do PCP apresentou na Assembleia da República duas perguntas sobre as violações ao direito à lei da Greve e acções repressivas e de condicionamento dos trabalhadores.

A ofensiva lançada pela Administração do Grupo de denúncia do AE é parte do ataque aos trabalhadores no seguimento do Pacto de Agressão assinado pelo FMI/UE e PSD/CDS/PS e do "pacote laboral" que está em discussão na AR, aprovado na generalidade pelos partidos do Governo PSD / CDS com a ajuda do PS (que se absteve) na Assembleia da República a 28 de Março.

Este "pacote" que prevê, entre outras mediadas, o trabalho forçado e gratuito, a redução para metade do pagamento das horas extraordinárias e do trabalho suplementar, a generalização do banco de horas (podendo trabalhar-se 12 horas por dia até 60 horas semanais), a facilitação e o embaratecimento dos despedimentos, o corte de feriados e dias de férias, pode e vai ser derrotado pelos trabalhadores com a sua luta e oposição nas empresas e locais de trabalho.

O grupo Portucel Soporcel teve no ano 2011um lucro de 196 milhões de euros e um aumento de vendas em mais de 7%, que se traduziu na distribuição de lucros pelos accionistas no montante de 16 cêntimos por acção. Para estes resultados foram decisivos os trabalhadores. A Administração, fazendo tábua rasa destes resultados, apresenta em alternativa ao AE uma proposta que aumenta a exploração dos trabalhadores para potenciar o aumento dos seus lucros, assente em matérias altamente gravosas para os trabalhadores, como o Banco de Horas e a Adaptabilidade, pretende fazer alterações de cláusulas de expressão social e pecuniária entre as quais se pode salientar:

  • Abolição do subsídio de transporte;

  • Abolição das 48 horas para justificação de faltas;

  • Abolição das diuturnidades a todos os trabalhadores no pagamento do subsídio de natal

  • Abolição do pagamento de 11 feriados aos trabalhadores de turnos. Só são pagos os que forem feitos e ao preço da lei actual 100% (passando a 50% com a aprovação das alterações ao Código Laboral, sem folga de compensação) mas o horário mantém a pré-marcação de férias.

  • Abolição do gozo de 3 dias de férias passando a 22

  • Eliminação da cláusula 91 do AE que incluía: seguro social, pagamento do complemento do subsídio de doença, subsídio de casamento, funeral e a deficientes

  • Abolição de direitos para os trabalhadores estudantes

  • Abolição de direitos para o trabalho feminino

  • Abolição do subsídio de infantário e ama

  • Deixam de ser atribuídas folgas após duas horas de serviço e meias folgas após uma hora na situação de trabalho extraordinário em dia de descanso

  • Abolição do subsídio de bombeiro

  • Deixam de ser pagos os 2 primeiros dias de assistência à família

  • Abolição do prémio de chamada

  • Abolição do pagamento do tempo de deslocação

  • Trabalho nocturno passa a ser das 0H às 5H

  • 5 dias de faltas injustificadas davam origem a processo disciplinar agora dão origem a despedimento com justa causa.

Só com a luta e unidade dos trabalhadores é possível:

  • dizer não à aplicação das medidas gravosas do Código Laboral,

  • manter o AE para os trabalhadores da Portucel SA e alarga-lo aos restantes trabalhadores do Grupo - Headbox, ATF, Ema 21, Aborser

  • o aumento real dos salários e restantes matérias de expressão pecuniária,

visto que os salários já diminuíram mais de 3,7% com o agravamento da inflação no ano de 2011, para além do aumento do custo de vida já verificado em 2012.


A célula da Portucel do PCP apela a todos os trabalhadores do complexo fabril para participarem nas comemorações populares do 25 de Abril, nomeadamente no desfile em Lisboa com concentração no Marquês de Pombal às 15h e na manifestação do 1º de Maio, dia do trabalhador, em Setúbal, com concentração no Jardim do Quebedo às 14h30.

Só com a LUTA é possível conquistar e defender direitos!!!